KARATE-DO – ORIGEM E DESENVOLVIMENTO
O Karate-Do teve origem na China, no famoso Mosteiro Shaolin, situado no centro do país.
As Artes Marciais Chinesas foram desenvolvidas durantes as longas épocas de conflito entre pessoas, e mesmo entre tribos. Foram desenvolvidos estilos de combate com formas que imitavam diferentes tipos de técnicas de luta dos animais, como o tigre, a pantera, o macaco, a cobra e a grou, entre outros.
A tradição diz-nos que o monge Indiano Bodhidharma terá viajado até à Índia por volta de 572 d.C. para ensinar Budismo. Bodhidharma era considerado um ser iluminado e foi no Mosteiro Shaolin que, após nove anos em retiro, meditando, ensinou aos monges um processo de desenvolver o corpo, tornando-o forte e saudável, e ao mesmo tempo nutrir o espírito de modo a atingirem a essência de Buda. Os ensinamentos de Bodhidharma foram incorporados nas várias formas das artes de combate e criou-se assim um refinado sistema marcial.
Invasões sofridas pelo Mosteiro levaram os monges a fugir para o Sul da China, dispersando-se e espalhando os seus conhecimentos, que eventualmente terão chegado ao arquipélago de Okinawa, desenvolvendo-se o chamado Okinawa-te (a mão de Okinawa), o antecessor do Karate.
Okinawa, por volta de 1609, era um reino unificado e subjugado pelo império Japonês. Um édito havia sido promulgado em que se proibia o porte, armazenamento ou posse de qualquer tipo de armas. Supõe-se que a procura e consequente desenvolvimento do Okinawa-te como um método de defesa pessoal terá atingido o seu auge nesta época, criando-se assim a arte marcial de Okinawa conhecida por KARATE.
No início do século xx, a prática de Karate foi proposta ao Ministério da Educação no sentido de que fizesse parte dos programas de Educação Física das Escolas Primárias e Secundárias, com início em 1902. Em 1906, o mestre Gichin Funakoshi (1868-1957), juntamente com um grupo de karatecas (praticantes de Karate) seus amigos, faz uma digressão por Okinawa em demonstrações públicas. Esta terá talvez sido a primeira vez que o então Okinawa-te foi levado a público. Em 1917, Funakoshi Sensei é convidado para ir a Kyoto como representante da Prefeitura de Okinawa para dar a conhecer ao Japão a arte do Karate. Após uma nova exibição levada a cabo a 6 de Março de 1921 em frente ao Castelo de Shuri, Okinawa, e perante a apreciação do príncipe regente do Japão, Funakoshi Sensei é de novo convidado para fazer demonstrações de Karate, em Tóquio, na Primeira Exibição Atlética Nacional.
Persuadido a permanecer por mais algum tempo no Japão a pedido de várias associações e organizações, Funakoshi Sensei acabou por fazer ainda várias viagens pelo país, demonstando a arte. Em Novembro de 1922 é publicado o primeiro livro sobre Karate, com o título de Ryukyu Kempo: Karate, da autoria do Mestre Funakoshi, que permanece no Japão. Em 1924, as Universidades aderem ao Karate.
O Mestre faz uma revisão da sua obra, que aparece em 1925 sob o título Rentan Goshin Karate-Jutsu. Em 1935, é publicada a então monumental obra do Karate, Karate-Do Kyohan; o termo karate, que até então significava «mão chinesa», é agora tido como «mão vazia»; o ideograma do, «a via», é acrescentado. Temos assim O Caminho da Mão Vazia. À semelhança do Judo e do Kendo, artes marciais com raízes Japonesas, era objectivo do Mestre elevar o estatuto do Karate-Do ao do Kendo e do Judo, e levar a arte a fazer parte da cultura Japonesa. Em 1936, o termo Karate-Do passa a ser a designação da Arte Marcial de Okinawa.
Funakoshi Sensei foi seguido por um grande número de alunos que, após a ii Guerra Mundial, ficou bastante reduzido. Nesta altura revelaram-se dois grupos – duas escolas: Shotokan e Shotokai (em que Shoto é o pseudónimo com que Funakoshi Sensei assinavaos seus poemas). A escola Shotokan integrava jovens entusiastas com o espírito de competição Japonês; da Shotokai faziam parte os alunos mais antigos do Mestre que eram contra o karate desportivo, pois este tipo de prática era contra a própria natureza do Karate-Do.
Em 1957, com a morte do Mestre a 26 de Abril, dá-se a cisão entre das duas escolas. O Shotokai praticado por nós tem uma forte ligação aos ensinamentos iniciais da escola Shoto e é a linha mais pura do Karate-Do como nos foi transmitido pelo Mestre Gichin Funakoshi.
O Karate-Do e as crianças
O karate-do visa desenvolver nas crianças um código ético de valores, atitudes, comportamentos e condutas que lhes permitirá tornarem-se homens e mulheres corteses, sinceros e disciplinados, com um carácter bem definido. A sua prática de exercício físico permite-lhes desenvolver um corpo forte e saudável e adquirir uma grande capacidade motora que possibilita o domínio total do corpo. Estas qualidades são obtidas através de uma prática diligente em que o aluno se esforça dentro do dojo (local de prática), empenhando-se ao máximo nos exercícios que estão a ser efectuados, não conversando e estando sempre atento às explicações do seu Mestre, procurando ser assíduo e pontual; nos seus tempos livres, a prática deverá surgir por iniciativa própria.
Nos jovens adolescentes, a prática do Karate traz ainda outros benefícios. Dada a importância que a pertença a um grupo ganha nestas idades, a interacção dos praticantes com os parceiros que compõe a sua classe de Karate ajuda a estabelecer laços e a orientar atitudes, no sei de uma «família» em que a etiqueta, o carácter, a sinceridade, o esforço e o auto-controlo são palavras-chave.
O Karate-Do e os adultos
Os adultos interrogam-se frequentemente se ainda vão a tempo de iniciar a prática de Karate. O Karate é uma arte adaptável a toda e qualquer pessoa, e todo aquele que a pratica retira daí benefícios. Numa sociedade cada vez mais sedentária e, ao mesmo tempo, exigente a nível psicológico, a prática do Karate ajuda a combater estes males através de exercícios que desenvolvem as capacidades respiratórias, musculares e circulatórias – prevenindo assim problemas de saúde física ou lesões –, e que promovem o bem-estar mental, através de técnicas de relaxamento e libertação da mente.
Falando da prática dos adultos, aqui fica uma citação dos escritos do Mestre Gichin Funakoshi:
Não existe um fim de seguir a Via (DO). O espírito indómito desenvolvido através de treino diligente na arte de Karate irá também servir bem aqueles que atravessam o rio da vida, uma vez que a própria vida é uma luta diligente.
O Karate-Do e os "séniores"
As idades mais avançadas não ficam à porta do dojo. Todos os exercícios do Karate-Do podem ser feitos tendo em vista a manutenção da condição física. Adaptando o modo como o exercício é ministrado às capacidades de cada praticante, tanto um jovem adolescente como os seu avós poderão executar o mesmo movimento e dele retirar os benefícios que procuram. A prática do exercício físico nestas idades é de extrema importância para combater a natural perda de massa muscular e densidade óssea, causadoras de tantos problemas de saúde. Além disso, os constantes estímulos a que o aparelho cognitivo fica sujeito durante a prática desta arte poderão ajudar também a prevenir certas doenças do foro psíquico.
Como dizia Funakoshi Sensei:
Não há limite para se aprender Karate. O ideal será começar na infância e continuar toda a vida.